terça-feira, 11 de maio de 2010

Como perder uma vaga em cinco meses...

Grafite barra Adriano na Copa.


Hoje quando saiu a lista dos convocados pelo técnico Dunga para a Copa do Mundo, só confirmou aquilo que eu e todo mundo já sabia: Adriano não vai para a África do Sul, pelo menos não para jogar (rs). Grafite foi chamado para o seu lugar. E o treinador teve todos os motivos para não chamar o Imperador.

Algo até então inimaginável no fim do ano passado. Hexacampeão brasileiro com o Flamengo e artilheiro da competição, ao lado de Diego Tardelli do Atlético mineiro, com 19 gols, Adriano era nome mais do que certo para a Copa do Mundo.

Porém desde o começo do ano, parece que ele jogou tudo para o alto. Com 13 faltas (até o momento) no ano e vários problemas fora de campo, como por exemplo o episódio ocorrido na Chatuba. Tudo isso foi minando as chances de Adriano na seleção.

Dunga deu todas as chances para ele, convocou o Imperador até em seus momentos mais dificeis, quando ele ameaçou abandonar o futebol, desiludido. Porém a falta de profissionalismo dele para com o Flamengo e também o fraco aproveitamento dele nos últimos jogos da seleção fizeram a paciência do treinador se esgotar.

Ele quis tanto levar o Adriano que o substituto dele, o Grafite, só foi chamado uma vez e ainda por cima no último amistoso. Quando o Luis Fabiano estava machucado e Adriano foi o centro-avante titular. O imperador até que jogou bem, mas muito isolado na frente, não conseguiu marcar. Já Grafite o substituiu e, de letra, deu o toque para o gol de Robinho.

Tecnicamente Adriano é bem superior que o atacante do Wolfsburg (cá entre nós, superior também ao Luis Fabiano), porém no quesito comprometimento e vontade, como sempre prezou Dunga, Grafite foi bem superior, mesmo jogando bem menos tempo.

Agora só ficam duas perguntas no ar:

Como ficará a seleção sem o Adriano? Bem o mal, o Imperador já foi decisivo na Copa América de 2004 e na Copa das Confederações de 2005.

Será que o Flamengo vai pagar o patos, com mais sumiços mal-explicados? O time da Gávea tem um bom time, porém depende muitas vezes da habilidade de seu principal jogador.

Até a próxima!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Copa dos Campeões Estaduais do Brasil



Esse poderia ser o nome da edição desse ano da Copa do Brasil a partir de agora. Depois da definição dos semi-finalistas, só ficaram campeões estaduais. Tem o duelo do campeão goiano, o Atlético Goianiense, contra o campeão baiano Vitória. E também o duelo do campeão gaúcho contra o campeão paulista, respectivamente Grêmio e Santos, esse último inclusive eliminou na fase anterior o Atlético mineiro, campeão da terra do pão de queijo.

Outros campeões regionais não tiveram tanta sorte assim no torneio, como é o caso do Botafogo. O campeão carioca caiu ainda na segunda fase da competição diante do Santa Cruz, que atualmente disputa a quarta divisão nacional e que é o vice-campeão pernambucano, conseguiu perder o título para o Sport depois de abrir 3 a 0 no primeiro jogo e deixar o rival fazer dois gols, que foram cruciais na segunda partida, quando o Leão venceu apenas por 1 a 0 e foi campeão, aliais pentacampeão, por causa do critério dos gols fora de casa.

O grande duelo dessas semi-finais, na minha opinião, é o embate entre Santos e Grêmio. O time da vila é a sensação do futebol brasileiro, uma nova geração dos meninos da vila (Neymar, Ganso e André) mesclada com a anterior (Robinho) e com bons jogadores como o experiente zagueiro Edu Dracena e o goleiro Felipe.

Por outro lado, o Grêmio montou um bom time nessa temporada. Borges, Douglas, Hugo e Rodrigo reforçaram a equipe gaúcha que já contava com o atacante Jonas que ano passado até chegou a ser em alguns momentos o artilheiro do campeonato brasileiro, mas não tinha uma constância, alternava boas partidas com outras péssimas. Porém nessa temporada ele tem sido decisivo.

É muito difícil apontar um favorito, o Grêmio é um tipo copeiro. Acostumado a jogar torneios de mata-mata, onde você tem que se garantir nos 180 minutos. Mas eu apostaria as minhas fichas no Santos. É um time muito bem armado pelo Dorival Junior, com uma defesa não tão sólida, pois vem sofrendo vários gols, mas que na hora certa consegue segurar o tranco. Mas é do meio-campo pra frente que o time flui muito bem com dois nomes já bastante conhecidos: Paulo Henrique Ganso e Neymar.

São dois craques que podem resolver a parada a qualquer momento, tem ainda o artilheiro André e Robinho, que voltou para ser o principal jogador da equipe santista na temporada, mas acabou ficando um pouco ofuscado por essa molecada, embora ele praticamente seja um deles, mesmo com uma diferença de idade de quase 10 anos.

Não tenham dúvidas que serão dois jogos de arrepiar. O vencedor desse duelo enfrentará o vencedor do duelo rubro-negro entre o Vitória e o Atlético Goianiense. Esse último na minha opinião tem tudo para se classificar, pois vem apresentando um bom futebol não é de hoje. O time treinado por Geninho, recém chegado na série A, provavelmente será um daqueles times que brigarão por uma vaga na Copa Sulamericana, do meio pra cima da tabela. Na Copa do Brasil eles já eliminaram o Palmeiras, que não vive um bom momento é verdade, mas é um time de tradição.

Então vamos aguardar para ver se eu sou um bom palpiteiro ou se eu vou quebrar a cara com os meus prognósticos, rs. em breve um balanço sobre a reta final da UEFA Champions League e da Liberadores.

Até mais pessoal!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Balanço do final do Carioca 2010



E o campeonato Carioca de 2010 chegou ao fim mais cedo do que o esperado. O Botafogo não deu mole para o azar e, depois de ganhar a Taça Guanabara em cima do Vasco, tratou de liquidar a fatura vencendo também a Taça Rio, diante do Flamengo, conquistando assim os dois turnos, eliminando assim a possibilidade de disputar mais uma final de campeonato contra o time da Gávea. Também puderá, depois de perder o título nos últimos 3 anos para o arquival, os alvinegros dessa vez mataram logo a parada, garantindo assim o 19° título Estadual na sua galeria de troféus.

E o time de General Severiano foi campeão com autoridade, pois foi o time mais regular do campeonato. Todo mundo irá lembrar dos vexatórios 6 a 0 impostos pelo Vasco lá no começo da Taça Guanabara, mas foi literalmente um sacode para o Botafogo, porque depois dali o técnico Estevam Soares foi demitido. Uns dizem até que o time fez corpo mole para que o treinador caisse, só que eu não acredito muito nisso, pelo menos me recuso a acreditar, que um grupo de jogadores seja capaz de manchar a história de um clube só pra desestabilizar o técnico.

Joel Santana foi contratado para arrumar a casa e, não só arrumou, como mudou a decoração e a estrutura do time botafoguense. Começando pela especialidade dele que é armar defesas firmes e sólidas. Ele também apostou na estrela do garoto Caio, que virou uma espécie de reserva de luxo da equipe, entrando sempre no segundo tempo e ajudando a equipe com gols preciosos. A dupla de ataque titular, formada pelo argentino Herrera e pelo uruguaio "El Loco" Abreu, demorou um pouco, mas engrenou na hora certa.

Não vou nem comentar as atuações contra os chamados times pequenos, que como eu disse posts atrás está em um nível muito abaixo dos grandes. Então avaliando o retrospecto botafoguense nos clássicos, podemos ter uma dimensão da boa campanha. Depois da já comentada goleada para o Vasco, teve uma vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo nas semi-finais da Taça Guanabara e uma revanche contra os cruzmaltinos na final do turno, vencida por 2 a 0. Na Taça Rio foi a vez de enfrentar os adversários do outro grupo, o alvinegro empatou com o Flamengo por 2 a 2 (mais uma vez, talvez esse seja o placar mais repetido nos confrontos entre as duas equipes) e uma derrota para o Fluminense por 2 a 1, depois de sair em vantagem no marcador. Porém o troco veio nas semi-finais: 3 a 2 para o Glorioso, também de virada.

Na decisão contra o Flamengo, tudo se encaminhava para mais um 2 a 2. O Botafogo tinha inaugurado o placar com Herrera de pênalti, mas Vagner Love empatou no finalzinho do primeiro tempo. Na etapa complementar, outro pênalti para o Botafogo e Loco Abreu, todo desengonçado, fez 2 a 1. O Flamengo poderia ter empatado em outro pênalti, só que o bom goleiro Jeferson pegou a cobrança displicente do Imperador. E o jogo terminou assim, para a alegria dos botafoguenses que estavam mais felizes em fazer o Flamengo vice, do que serem realmente campeões.

Título conquistado com todo o mérito, mas a equipe precisa se reforçar se quiser ir longe no Brasileirão. A principal carência do time, na minha opinião, é a de um meia de armação, um tradicional camisa 10. Lúcio Flávio não tem mais condições de exercer essa função, faz tempo que ele não joga bem e já está bastante desgastado com a torcida. Com ou sem reforços, o Botafogo estreia contra o time que é a sensação do momento: O Santos e os seus meninos da Vila, Neymar, Ganso e cia. Nem preciso dizer que a parada será dura.

Até a próxima!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quartas de final da UEFA Champions League (parte 2)

Bayern e Lyon farão a outra semi-final


Se na terça o grande jogo da rodada da Champions League foi o duelo entre Barcelona e Arsenal, que no final ficou mais em evidência por causa do show do argentino Messi, a quarta-feira foi marcada pelo duelo do outro inglês até então na competição, o Manchester United, que recebeu o Bayern de Munique em casa. O outro jogo da noite foi um legítimo clássico francês entre Bordeaux e Lyon.

Mas vamos começar pelo clássico da terra do vinho e do queijo Roquefort. O Bordeaux jogava como mandante e precisava vencer por no mínimo dois gols de diferença para levar a partida para a prorrogação, pois havia perdido a partida de ida por 3 a 1. Ao Lyon só bastava segurar o empate ou então se dar ao luxo de perder por um gol de diferença. Como era de se esperar o Bordeaux foi pra cima e no finalzinho do primeiro tempo conseguiu abrir o placar com Chamakh. No entanto eles não conseguiram mais do que isso, sendo assim o placar foi insuficiente, e o Lyon conseguiu pela primeira vez na história a classificação para as semi-finais da Champions League.

E a ex-equipe do brasileiro Juninho Pernambucano enfrentará talvez a grande surpresa da rodada, o Bayer de Munique. Mas você pode me perguntar porque surpresa se os alemães haviam vencido a partida de ida, em casa por 2 a 1 ?

A surpresa deve-se as circunstâncias da partida. Jogando em casa e com o apoio de sua apaixonada torcida, os Red Devils começaram com tudo e abriram o placar logo aos dois minutos de jogo com Gibson e aos seis já estava 2 a 0, gol de Nani. Com o Bayern totalmente acuado, tomando sufoco do Manchester, que fazia uma verdadeira "blitz" no meio-campo.

O Panorama era de uma goleada histórica, e isso pareceu mais eminente quando aos 41 minutos da primeira etapa, Nani de novo, fez 3 a 0. Pronto, era uma vez o Bayern... mais eis que logo depois, aos 43 minutos, Olic diminuiu para os alemães, dando novo gás a equipe do técnico holandês Louis Van Gaal. E isso realmente aconteceu, o Bayern voltou para a segunda etapa bem mais disposto e o United de maneira incrível, parecia não ter voltado pro jogo.

Jogando com mais vontade do que os donos da casa, os alemães ainda tiveram a ajuda do lateral brasileiro do Manchester, Rafael. O jovem de apenas 19 anos, foi expulso após um lance bobo com o francês Ribéry, pura inexperiência do garoto, como definiu mais tarde o treinador Alex Ferguson. Era tudo que o Bayern precisava, com mais domínio de bola, o segundo gol era questão de tempo. E ele só não chegou antes graças as defesas do holandês Van der Sar, que salvou o Manchester em algumas oportunidades.

Mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura... aos 29 minutos da etapa complementar, Ribéry bateu escanteio para Robben fora da área, o holandês pegou de primeira em um lindo chute, fazendo a bola entrar no cantinho direito de seu compatriota. Desde então coube ao Bayern administrar, enquanto o Manchester se lançava desesperadamente ao ataque, porém as investidas dos Red Devils foram inúteis, e o placar acabou sendo mesmo esse: 3 a 2 para o Manchester, 4 a 4 no total, por ter marcado mais gols fora de casa, o Bayern se classificou e vai pegar o Lyon no próximo dia 21 de Abril, em Munique.

Com isso, o Manchester perdeu a oportunidade de disputar a sua terceira final consecutiva da Champions League, onde era aguardada uma possível revanche com o Barcelona, que venceu os ingleses por 2 a 1 no Estádio Olímpico de Roma ano passado.

De fato ficou uma semi-final democrática, com um espanhol (Barcelona), um italiano (Internazionale), um francês (Lyon) e um alemão (Bayern de Munique). Pela primeira vez desde 2003, essa fase não terá pelo menos um time inglês, e olha que eles dominaram os últimos anos classificando três times entre os quatro.

Por enquanto é só!

Até a próxima pessoal!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quartas de final da UEFA Champions League (parte 1)

Messi e Sneijder, foram decisivos para a vitória de seus times.


Mas que semana essa da Uefa Champions League! Quatro jogos decidiram os quatro semi-finalistas da maior competição de clubes do planeta. Vamos começar pelos jogos de ontem, terça-feira. A Inter de Milão foi até a fria Moscou e venceu os russos do CSKA por 1 a 0, mesmo placar do jogo de ida, com gol do holandês Sneijder. Depois de sete anos, a equipe italiana consegue chegar as semi-finais.

Mas José Mourinho e seus comandados terão pela frente o Barcelona, atual campeão continental e mundial e que vem jogando o melhor futebol em todo o planeta nessa temporada. Isso tudo, mencionar o principal jogador da equipe catalã nos últimos anos, ou como andam dizendo por ai, de todos os tempos, o argentino Lionel Messi.

Comparado pela mídia como o novo Maradona, na minha opinião ainda é cedo para afirmar isso, mas que ele vem mostrando a cada dia credenciais para tal, não posso negar. Ontem mesmo ele deu mais uma prova do quanto pode ser ao mesmo tempo genial e decisivo, que o diga os ingleses do Arsenal, que sentiram na pele o poderio do atual melhor jogador do mundo.

Messi só não fez chover no Camp Nou. Foram quatro gols, um mais bonito que o outro, coisa de outro planeta, como declarou Arsene Wenger, técnico do Arsenal antes da primeira partida, na Inglaterra, que terminou empatada em 2 0 2. Nesse jogo inclusive o Barcelona abriu 2 a 0, mas permitiu a heróica reação dos Gunners.

Ontem os ingleses até que tentaram surpreender e quase conseguiram. Quando Bendtner abriu o placar aos onze minutos do primeiro tempo, todo mundo ficou pasmo! Desfilaria uma bela zebra pelo gramado do Camp Nou? Mas o camisa 10 do time catalão foi logo colocando ordem na casa, mostrando quem é que manda ali. Quando o primeiro tempo terminou, o placar mostrava 3 a 1 para o Barcelona, como dito anteriormente, com todos os "tentos" assinalados por Messi, sendo o terceiro uma obra de arte. No segundo tempo ainda teve mais um, adivinhem de quem? Para fechar de vez o caixão inglês.

Quando a bola rolar no próximo dia 20 de abril, no Giuseppe Meazza, para a primeira partida das semi-finais. Além do novo embate entre os atacantes Samuel Eto'o e Zlatan Ibrahimovic, que trocaram de camisa no começo da temporada, teremos o duelo entre uma Internazionale que tenta mostrar sua força no continente, após reinar absoluta na Itália nos últimos anos e um Barcelona que tenta mostrar que ainda é soberano na Europa.

Daí ficam duas perguntas:

Como José Mourinho irá parar o Barcelona?

O que o Messi irá aprontar dessa vez?

Respostas em breve!

Não perca o próximo post com o que rolou nessa quarta, na outra chave que leva a final da UEFA Champions League!

Por enquanto é só pessoal!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Porque o Carioca 2010 está tão chato?

Animação do torcedor com o Carioca 2010.


Desde a segunda semana de janeiro, vem se arrastando no Rio de Janeiro, um Campeonato Estadual monótono, que só empolgou até agora na fase final da Taça Guanabara, vencida pelo Botafogo em cima do Vasco.

Depois voltou todo o ostracismo, com os quatro grandes cariocas, mesmo não atuando bem, vencendo com certa facilidade os ditos pequenos. Tirando um empate do Flamengo com o Olaria, uns empates do Botafogo e uma inacreditável derrota do Vasco para o fragilíssimo Americano de Campos.

Agora, com a chegada da fase final da Taça Rio e as finais do Estadual (que pode não acontecer caso o Botafogo também fature esse turno) a promessa de emoção com os embates entre Fluminense e Botafogo, o chamado clássico vovô, no sábado. Logo depois, Flamengo e Vasco, o clássico dos milhões, no Domingo.

Sendo assim eu preferia um campeonato apenas com os quatro grandes e mais quatro dos pequenos, em um total de oito. Divididos em dois grupos, com quatro cada, sendo dois grandes e dois pequenos.

Dessa forma os times poderiam ter uma pré-temporada adequada, não essa correria que tem atualmente, com os jogos começando já no começo de janeiro.

Com os quatro melhores times pequenos, a chance deles incomodarem os grandes e repetirem os feitos do Volta Redonda em 2005 e do Madureira em 2006, são bem maiores.

Até a próxima!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Geraldo – o gênio que morreu prematuramente

Geraldo, faleceu muito jovem. Mas era um gênio com a bola nos pés.


Houve uma época em que o futebol carioca era o melhor do Brasil. Indiscutivelmente. Passara a fase de Vasco da Gama e do Fluminense. Os times (porque nunca foram clubes) da época eram Botafogo e Flamengo.

Com este texto especial e fora da órbita do esporte amador, damos início a uma série de reportagens com alguns astros que, se não foram os melhores do país, conseguiram preencher o vazio de alegria que existe em muitos.

O Botafogo, com um estupendo trabalho de base, foi bicampeão carioca de 62/63 e, depois, com outra geração, em 67/68. O cabeça de tudo não foi Zagallo, como muitos pensam. Foi um cidadão que conhecemos no Rio de Janeiro, que atendia pelo apelido de Neca. Todos os grandes talentos formados nas hostes alvinegras até 1970, passaram pelas mãos dele. Pois, num golpe de mestre, os dirigentes flamenguistas conseguiram “roubar” Neca do Botafogo, iniciando uma nova era futebolística no clube do Morro da Viúva.

O começo da geração de ouro – Depois de um fim de década nem tão bom para o futebol, o Flamengo começa a formar a geração que daria as maiores glórias para o clube no esporte. Zico, que chegara ao clube em 1967, pelas mãos do radialista Celso Garcia, já se destacava nas escolinhas rubro-negras.

Em 1972, o Flamengo vence o campeonato carioca depois de sete anos e o jovem craque lidera o time juvenil no primeiro ano do bicampeonato da categoria – já havia estreado nos profissionais em 1971.

Neste ano ainda, outra grande alegria foi a conquista do Torneio do Sesquicentenário da Independência do Brasil. Porém, acontece um desastre também, que seria reparado somente nove anos depois. A goleada de 6 a 0 do Botafogo fere a alma da torcida rubro-negra.
O Flamengo de 1970/71 escalava entre os titulares o zagueiro Washington, verdadeiro “pau de dar em doido”. Foi então que “Seu Neca” descobriu que, nas categorias de base do Flamengo, além de Júlio César, Rondineli, Cantareli e tantos outros, havia um garoto que chamava a atenção de todos. Era conhecido apenas como “o irmão de Washington”. Esse poderia ser útil ao Flamengo.

O garoto era Geraldo Cleofas Dias Alves, nascido em Barão de Cocais/MG no dia 16 de abril de 1954. Era meia armador e jogava um futebol vistoso, digno dos maiores jogadores do mundo em todos os tempos. Num homem só, uma mistura dos hoje conhecidos Beckham, Zidane, Ronaldinho, Maradona.

GERALDO era um jogador de um talento incrível: extraordinário controle de bola, dribles curtos e incisivos, futebol solto e alegre. Convocado pelo técnico Osvaldo Brandão, estreou na Seleção Brasileira na Copa América de 1975. Jogou 7 partidas com a camisa do Brasil. Era uma das maiores esperanças do futebol brasileiro quando morreu, aos 22 anos, de choque anafilático, durante uma simples operação de amígdalas, no dia 26 de agosto de1976.

Jogou apenas no Flamengo, de 1972 a 1976, conquistando os títulos de campeão carioca de 1972 e 1974 e pela seleção brasileira, de 1975 a 1976. TIME DE 1974: Renato; Júnior, Jaime, Luis Carlos, Zé Mário e Rodrigues Neto; Tita, Geraldo, Nunes, Zico e Júlio César.

Geraldo foi chorado copiosamente pelo futebolista do Rio de Janeiro. Era desses jogadores que até o torcedor adversário admirava, aplaudia pela plasticidade incomparável dos seus dribles, das suas jogadas e principalmente da sua exuberante categoria. Uma vez, numa entrevista, Geraldo disse que tinha apenas dois amigos no futebol: a bola e Carlos Alberto Pintinho. Este não suportou a perda do amigo e foi embora para o exterior, onde reside até hoje.

O Flamengo sofreu com a morte prematura de Geraldo. Houve um declínio e uma longa espera pela reconquista das vitórias e dos títulos. Mas a espera valeu a pena. Em 1978, o Flamengo conquistou um dos títulos mais marcantes da sua história. Impediu o bicampeonato do Vasco vencendo a partida no final – gol de Rondinelli de cabeça – e deu início à campanha do seu terceiro tricampeonato carioca, completado em 1979 com dois títulos em um ano.

Era o início de um grupo que brilharia intensamente nos anos 80. Os talentos incipientes de Júnior, Andrade, Zico e Tita, a categoria veterana de Carpeggiani e Raul, coadjuvantes mais que brilhantes como Rondinelli e Cláudio Adão e os que ainda estavam por vir, como Leandro, Figueiredo, Mozer, Adílio, Júlio César, das divisões de base da Gávea, e Nunes, Baltazar e Lico.

Na seleção Geraldo fez 7 jogos. Desses, conquistou 6 vitórias e sofreu apenas uma derrota. Foi campeão da Taça do Atlântico (1976), Copa Rocca (1976), Taça Oswaldo Cruz (1976).

Retirado do blog do Oliveira Ramos no seguinte link: http://www.jornalpequeno.com.br/Blog/OliveiraRamos/?p=166#comments