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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um ano do Hexa!

Festa da galera antes do jogo decisivo no Maracanã.

O dia 6 de dezembro de 2009, começou para mim no sábado à noite. Quando eu não conseguia dormir, tamanha era ansiedade pelo que me aguardava naquele domingo, há exatamente um ano. Quando lá pelas 4 horas da manhã, finalmente peguei no sono, tive um pesâdelo, nele o Flamengo perdia o jogo e deixava o título escapar pelas mãos.

Ao acordar, veio aquele alívio, foi apenas um sonho ruim. A manhã custou a passar, mais do que nos outros dias. Almocei rápido, sem ao menor sentir o gosto da comida, queria chegar logo no Maracanã. Na hora de me arrumar, veio a dúvida por qual manto (alguns chamam de camisa, para mim é o manto sagrado) eu usaria, bati logo o olho no uniforme reserva usado em 2007, personalizada com o meu nome. São vários os fatores que me levaram a essa escolha, o primeiro é que essa foi a primeira camisa oficial do Mengão que eu comprei, diretamente de uma loja na Gávea, no dia do aniversário do Mais Querido. O segundo é que se trata de uma variação moderna do manto usado no Mundial em 81, pelo melhor Flamengo de todos os tempos. Que inveja do pessoal daquela época, iam para o Maracanã para ver Zico, Adílio, Andrade e Junior jogar. Eu já vi craques como Romário e Adriano, mas nunca um time como aquele. 

Já devidamente trajado, sai de casa rumo ao meu destino. No caminho várias demonstrações de confiança, milhares de flamenguistas pela rua, dando um tom rubro-negro ao bairro do... Flamengo. Essas cores estavam mais evidentes dentro do metrô, eram poucos aqueles que não trajavam o manto.

Ao chegar ao maior do mundo, o mar de camisas nas cores vermelho e preto era ainda maior. Logo avistei meu amigo Thiago, o grande responsável por eu poder estar ali naquele momento. Durante a semana ele heroicamente virou a noite na fila para garantir os nossos ingressos, não tem dinheiro no mundo que pague a minha gratidão por ele ter me proporcionado esse momento mágico. Mas para chegar até as cadeiras inferiores, de onde veria o jogo, passamos por momentos nada mágicos. Aglomeração, empurra empurra e bastante confusão. Fruto da desorganização que o futebol carioca ainda, infelizmente,  mantém na realização de eventos de grande porte.

Depois de muito sufoco conseguimos chegar aos nossos lugares e finalmente avistar o gramado do Maraca, que estava mais verde do que nunca. Faltava uma ou duas horas para o início do jogo e o estádio ia sendo preenchido pela massa, aos poucos as arquibancadas verdes, amarelas e brancas passavam a ter apenas duas cores: preto e vermelho. Bandeirões com herois daquele time e de outros vitoriosos esquadrões começavam a agitar no céu.

A agitação atingiu seu ápice quando o Flamengo entrou em campo. Uma bela festa com direito a mosaico e tudo. Antes disso, quando o Grêmio entrou em campo, eram ouvidos gritos de "Entrega, entrega", inclusive vindos da própria torcida do tricolor gaúcho, que em escala bem menor no estádio, não queria ver o título brasileiro nas mãos do rival Internacional.

Mas engana-se quem pense que o Grêmio de fato entregou aquela partida, muito pelo contrário. Com um time formado por reservas e garotos da base, os gaúchos dificultaram a vida do Flamengo e quase conseguiram colocar água no chopp rubro-negro.

Quando Roberson fez 1 a 0, aos 21 minutos do primeiro tempo, foi como se um enorme balde de água fria tivesse sido despejado em cima de todos nós ali na torcida. Um silêncio se fez, lembranças das últimas decepções vieram a mente: derrota para o América do México na Libertadores de 2008 e o empate diante do Goiás, poucas semanas atrás. Eu estava angustiado, não queria reviver aqueles fantasmas. Para piorar, o Inter abriu o placar diante do Santo André.

O Flamengo não jogava bem, nervoso, errava passes bobos. Nem parecia aquele time que bateu com propriedade o então líder Palmeiras dentro da casa do adversário ou o que superou o Atlético-MG por 3 a 1 com o Mineirão completamente lotado. Mesmo sem melhorar muito o Mengão conseguiu empatar aos 29 minutos com David, foi o combustível para empurrarmos o time para mais uma conquista. Porém até sair o segundo gol, me vi nervoso e tenho certeza de que quase enfartei.

Angelim comemora depois de marcar o gol do título.

E aos 24 minutos da etapa complementar a minha angústia foi embora e deu lugar a emoção. Petkovic cobrou escanteio da esquerda e Ronaldo Angelim cabeceou firme para o gol. O magro de aço, oriundo do interior do Ceará, acabará de entrar para a história, assim como o gringo se consagrou ainda mais com a camisa rubro-negra.

Quem foi que disse que depois do gol tudo foi festa? O Grêmio continuou atacando e levando perigo ao gol defendido por Bruno, me deixando ainda mais aflito. Por incrível que pareça, como eu falei no começo, os jogadores do Grêmio procuraram a todo custo o empate, mesmo que dessa forma o título fosse para o Inter, que continuava vencendo o Santo André.Mas quando Heber Roberto Lopes apitou o fim da partida a emoção voltou com tudo. Eu e todo o Maracanã estávamos extasiados, completamente enlouquecidos.

Eu, que já tinha visto os dois tri campeonatos estaduais e a Copa do Brasil pela TV, pude pela primeira vez ver ao vivo e a cores o Flamengo ser campeão, logo do Brasileirão que não conquista há 17 anos, desde 1992. Agora, exatamente um ano depois desse jogo, lembro com bastante emoção do campeonato que reconduziu o Flamengo para o lugar de onde jamais deveria ter saído: o topo.

Até a próxima pessoal!

sábado, 23 de maio de 2009

Clássicos da memória: Flamengo 3 x 1 Vasco (27/05/01)

Petkovic comemora depois do histórico gol do tri.

E para inaugurar o blog, trago a vocês um dos jogos mais marcantes da minha vida. Como um bom flamenguista, guardo na memória esse Flamengo e Vasco, e aquele não foi um clássico qualquer. Era a terceira vez consecutiva que os dois times disputavam o título Estadual. Nas outras duas vezes tinha dado Flamengo e os vascaínos não estavam dispostos a perder mais essa decisão.

Também puderá, O Vasco era o atual Campeão Brasileiro (Copa João Halvelange) e tinha um dos melhores times do país. Nomes como Euller, Juninho Paulista e dos tetracampeões mundiais Viola e Jorginho faziam parte daquele elenco, tinha ainda um jogador que dispensa apresentações: o baixinho Romário, que contundido não pode jogar aquela decisão.

Pelo lado do Flamengo a base era quase a mesma do Estadual anterior, com algumas mudanças. Uma delas foi o "capetinha" Edilson, que tinha chegado ao clube na última temporada e que se tornou o artilheiro daquele Carioca, desbancando Romário, e sendo decisivo na grande final ao lado do sérvio Petkovic. O goleiro Julio César também fo muito importante, fazendo defesas milagrosas.

Os 60 mil presentes na tarde daquele 27 de maio de 2001 assistiram um jogo digno de uma grande final, emocionante até o fim. Depois de perder a primeira partida por 2 a 1, os rubro-negros teriam que vencer por dois gols de diferença para ser campeão. Empate ou a derrota por um gol de diferença davam o título ao Vasco, que tinha essa vantagem de dois resultados iguais por ter feito melhor campanha. Nervoso, o Flamengo começou o jogo pressionando enquanto os vascaínos assustavam com perigosos contra-ataques. Numa dessas Viola quase abriu o placar, mas Julio César fez grande defesa. Mas quem realmente abriu o placar foi o Flamengo aos 23 minutos, o lateral-esquerdo Cássio sofreu penalti. Edilson bateu e fez 1 a 0, só faltava mais um gol para ser campeão.

Mas o Vasco não se deu por vencido e foi buscar o empate, primeiro Euller teve um gol anulado por impedimento. Depois de várias chances criadas, aos 40 minutos de jogo, Juninho Paulista deixou tudo igual depois de receber de Viola dentro da área. Ele ainda poderia ter decidido o jogo, porém Julio César mais uma vez salvou o Fla. Com o fim do primeiro tempo o Vasco estava numa boa, podendo ainda se dar o luxo de levar mais um gol, que conquistaria o título mesmo assim.

E o Flamengo voltou para a segunda etapa empurrado pela sua torcida, que acreditava o tempo todo na reação. Aos 8 minutos a estrela de Petkovic começou a brilhar, depois de boa jogada pela ponta esquerda, o sérvio cruzou na medida para Edilson cabecear e fazer 2 a 1 para o delírio da galera rubro-negra. Depois disso foi só pressão vascaína com Juninho Paulista batendo uma falta no travessão e com Euller driblando o goleiro e perdendo o ângulo na hora do chute. Com grandes defesas, Julio César já estava se tornando o herói daquela tarde, mas de nada adiantaria todo aquele esforço se o Flamengo não fizesse mais um gol.

Aos 43 minutos da etapa final, a torcida vascaína já comemorava o título, fazendo a festa no Maracanã. Porém o Flamengo tinha uma falta na entrada da área a seu favor. A torcida erque as mãos, mandando boas energias para o campo. Enquanto isso o camisa 10 se posiciona para a cobrança. "Se fosse o Zico com certeza era gol", alguem deve ter falado. Não era o Galinho de Quintino, que cobrava faltas como aquela como se fosse com as mãos, fazendo com que os goleiros pulassem em vão para pegar uma bola que era na maioria das vezes indefensável. Era Petkovic quem iria bater, ele já tinha batido outras faltas durante a partida que nem incomodaram o goleiro Hélton. Mas dessa vez, como se tivesse encarnado o eterno camisa 10 rubro-negro, Petkovic chutou a bola com perfeição. Ela passou por cima da barreira e entrou bem no ângulo esquerdo do goleiro cruzmaltino, que se esticou todo, mas não conseguiu defender aquela bola que era realmente indefensável.

O Maracanã quase foi abaixo tamanha foi a festa em vermelho e preto, que naquele momento começava invadir a cidade do Rio de Janeiro e durou a noite toda. Eu, então com 14 anos, assisti o jogo de casa e vibrei muito com aquele gol, que até hoje me emociona quando vejo o vídeo no youtube.





Ficha Técnica:

Local: Maracanã, Rio de Janeiro.

Data: 27/05/2001.

Árbitro: Léo Feldman (RJ).

Público: 60.038 pagantes.

Advertências: Vasco: Helton, Jorginho Paulista, Juninho Paulista, Cleberson e Fabiano Eller; Flamengo: Juan e Beto.

Gols: Edílson (FLA) 23'/1ºT, Juninho Paulista (VAS) 40'/1ºT, Edílson (FLA)8'/2ºT e Petkovic (FLA) 43/2ºT.

VASCO: Helton, Clebson, Geder (Odvan), Torres e Jorginho Paulista; Fabiano Eller, Paulo Miranda, Pedrinho (Jorginho) e Juninho Paulista; Euller e Viola (Dedé). Técnico: Joel Santana.

FLAMENGO: Júlio César, Alessandro(Maurinho), Fernando, Juan, Cássio, Leandro Ávila, Rocha, Beto(Jorginho), Petkovic, Reinaldo(Roma) e Edílson. Técnico: Zagallo.

Espero que tenham gostado!

Até a próxima!