Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Aula de futebol

Craque, o Barcelona faz em casa.

No último dia 18 de dezembro, manhã no Brasil e princípio de noite em Yokohama no Japão. Era esperado um duelo de titãs entre aqueles que já são rotulados como os dois maiores craques da atualidade: Lionel Messi do Barcelona e Neymar do Santos, na final do Mundial de Clubes da FIFA. Porém parece que só o primeiro entrou em campo, e foi quase isso mesmo. 

Com seu estilo de jogo clássico, a equipe azul grená não deixou o time da Vila jogar, forçando-os a assistir de camarote uma verdadeira aula de futebol. E que aula! Messi, Xavi, Iniesta e cia deram várias lições não só ao time de Muricy Ramalho, mas a todos os outros do planeta. Eles mostraram como o jogo coletivo, somado com o talento de jogadores excepcionais formados nas categorias de base, pode ser decisivo. E o mais incrível é que eles pegaram diversos estilos e fizeram uma mistura poderosa. No time de Guardiola você pode ver nas variações táticas e na forte marcação por zona, o tal do "futebol total" dos holandeses. Lembrando que Johan Cruijff, cérebro daquela Holanda da Copa de 74, é ídolo no clube catalão, onde jogou nos anos 70 e foi treinador nos anos 90, ou seja, seus valores e ensinamentos foram amplamente encorporados na filosofia do clube. 

 Outra escola encorporada foi a brasileira, trazendo a tona algo que nós não reproduzimos por aqui faz tempo: o futebol arte. O toque de bola refinado e objetivo, sem firulas, com poucos toques (no máximo três) e sem chutões, a bola de pé em pé até o gol, algo como o Santos de Pelé nos anos 60 e o Flamengo de Zico em 81 sabiam muito bem fazer. Isso fica ainda mais ratificado após as declarações de Sandro Rosell, presidente do Barcelona após a final do Mundial: "O time mostrou hoje que gostamos de jogar, de tocar a bola, trabalhar o time na casa, mostrar ao mundo o jogo bonito que vocês (brasileiros) inventaram", disse o mandatário, à imprensa brasileira. Já Guardiola afirmou que o time buscou fazer aquilo que aprendeu com os brasileiros. "Não joguei no Brasil. O que tentamos fazer foi passarmos a bola o mais rápido possível. É o que o Brasil fez a sua vida inteira", completou. 

 Vale lembrar que para essa filosofia de jogo do Barcelona pegar foi necessário um trabalho feito a longo prazo. Há 30 anos que ela foi implantada em todas as categorias de base do clube, fazendo com que o jogador já chegue ao plantel principal completamente ambientado com estilo de jogo. Um chavão que o Flamengo sempre se orgulhou foi aquele de que craque o time rubro-negro faz em casa, se isso não pode ser visto com eficiência na Gávea há alguns anos, lá na Catalunha ela se faz presente. Dos onze jogadores que estavam em campo no fim do jogo contra o Santos, nove eram formados nas categorias de base do clube, até mesmo o argentino Messi é cria do clube, uma vez que está lá desde os seus 13 anos. Outros craques como Xavi e Iniesta, assim como o argentino, convivem com o restante do elenco sem qualquer tipo de vaidade, algo pouco comum no futebol. Tudo isso cercado por uma estrutura de primeira, com excelentes condições de trabalho para todos os profissionais, não apenas os atletas, mas também treinadores, médicos e etc. 

 Não seria pedir demais que o futebol brasileiro olhasse para esse modelo e bebesse diretamente da fonte, talento para isso sem dúvidas nós tempos, só falta a coragem e a determinação de implantar algo parecido e dar a cara a tapa quando as críticas vierem após os resultados ruins. Nunca é demais lembrar que o Barcelona antes de ser bicampeão mundial, perdeu outras duas vezes a mesma competição, que isso também fique de lição.

domingo, 29 de maio de 2011

Barcelona: um futebol para recordar...

Mais um capítulo de uma vitoriosa história.


Tenho 24 anos de idade e desde bem novo sempre ouvi falar de times memoráveis, o Flamengo de Zico, o Santos de Pelé, o Brasil de 70, a Holanda de 74, eram sempre menções de muito tempo atrás, obviamente de bem antes de eu nascer. Os mesmos que enaltecem esses grandes esquadrões sempre foram taxativos ao dizer que o futebol atualmente não tem mais a magia daqueles tempos áureos.

No entanto um time, que começou a ser montado há pouco mais de dois anos atrás, vem chegando rapidamente, trocando passes precisos e milimétricos a um nível espetacular, que deixa qualquer admirador do futebol arte de queixo caído. No último dia 28 de maio o mundo da bola pode ter mais uma prova de que o Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi e Guardiola merece com todos os méritos estar no panteão dos grandes esquadrões de todos os tempos.

Diante do time catalão, os ingleses do Manchester United bem que tentaram, mas foram presas fáceis na final da temporada 10/11 da UEFA Champions League, disputada em um verdadeiro templo do futebol: Wembley. O placar de 3 a 1 deu o tom do que foi mais uma partida histórica do Barcelona, que envolveu os "Red Devils" com seu toque de bola mágico e ao mesmo tempo preciso. Para se ter uma ideia, com apenas 15 minutos de jogo, os espanhois tinham 63% de posse de bola e já tinham trocado nada menos do que 111 passes, enquanto os ingleses tinham trocado apenas 51, tendo 37% de posse de bola.

Os três indicados para o prêmio de melhor do mundo do ano passado, Xavi, Iniesta e Messi, que acabou eleito pela segunda vez consecutiva, são os principais responsáveis por isso tudo. Eles são as principais artérias do time, todas bolas passam por pelo menos um deles e seus dribles e lançamentos são quase sempre letais. Destaque para o argentino que vem demonstrando cada vez o quanto é um gênio, em um patamar comparável aos grandes nomes do futebol como Zico, Garrincha, Maradona e Pelé.

É válido lembrar também do grande talento do treinador Pep Guardiola, que em menos de três anos de carreira já conquistou 10 títulos. Ele armou um time compacto, que defende bem e ataca melhor ainda. Vale destacar outros bons valores do time como os zagueiros Piqué e Puyol, o excelente lateral-direito brasileiro Daniel Alves e matador David Villa.

Não é possível prever com exatidão até quando essa geração vai seguir encantando a todos. Espero que ainda por muito tempo, pois o futebol moderno, baseado na força física e defensividade precisa de bons exemplos como esse para não sucumbir ao pragmatismo. Com esse Barcelona em campo, dificilmente uma partida termina em 0 a 0 ou com o placar mínimo de 1 a 0.

Assim um dia, quando estiver bem velhinho, poderei me vangloriar para os meus netos que futebol bom era o daquele time do Barcelona de 2011, que tinha um gênio baixinho e franzino chamado Messi.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Geração Fenômeno!

Apogeu de Ronaldo: dois gols na final da Copa de 2002.


O assunto foi disparado o mais comentado pela imprensa brasileira e mundial, esportiva ou não! A aposentadoria de Ronaldo, assim como foi em toda sua carreira, chamou bastante atenção. Muitos acharam que ainda era cedo para parar, porém a maioria seguia o consenso de que já era hora do Fenômeno aposentar as chuteiras.

Eu por exemplo sou um defensor dessa ideia, por tudo que fez pelo futebol, Ronaldo deveria ter se despedido do futebol em 2009, naquele que foi o seu último lampejo de craque. Quando ajudou o Corinthians a ganhar o Paulista e a Copa do Brasil. Depois disso, lesões e hábitos que não batiam muito bem com o de um jogador profissionais o fizeram engordar e perder ainda mais a mobilidade, algo que já estava perdendo gradualmente desde os tempos de Real Madrid.

De qualquer forma Ronaldo vai deixar saudades, por tudo que ele fez pelo futebol mundial. Principalmente para aqueles que como eu estão na faixa dos 20-25 anos, que cresceram acostumados a ver o Fenômeno brilhando com a camisa da Seleção ou dos grandes europeus como o Barcelona e a Inter. Quantas vezes vibramos diante da tv com aquele futebol que aliava uma técnica apurada com bastante velocidade? Por isso fazemos parte da geração fenômeno, crescemos sobre a influência da camisa 9, quem não queria ser o Ronaldo nas peladas da rua?

Eu particularmente comecei a acompanhar o futebol espanhol e a torcer pelo Barcelona por causa dele, muito antes de Messi e cia encantarem o planeta. Torci por ele na Copa de 2002 quando ninguém mais acreditava que o Fenômeno jogaria futebol, depois daquela grave lesão. Alias, ele já poderia ter encerrado sua vitoriosa carreira ali, que já estaria consagrado.

Porque depois disso Ronaldo começou a manchar a sua imagem, primeiro com os torcedores do Barcelona ao ir jogar no Real Madrid, aonde começou a conviver com o problema do peso. Em 2007 foi para o Milan, deixando raivosos os torcedores azuis da outra metade da cidade, que já estavam magoados com ele por ter deixado a Inter do que jeito que deixou.

Para completar ele assinou com o Corinthians, após fazer boa parte da recuperação de sua segunda cirurgia grave no Flamengo, clube no qual sempre jurou ser torcedor e que envergonhou ao aparecer com o manto naquele estranho escândalo com os travestis. Isso demonstra que podemos dividir o Ronaldo em duas partes distintas: a primeira é a do craque implacável, maior expoente do futebol brasileiro nos últimos anos. A segunda é a da pessoa sem muito caráter, movido pelo dinheiro de seus patrocinadores.

De qualquer forma, o que vai ficar para a história será o seu legado como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo e como o melhor do planeta nos anos de 1996, 1997 e 2002. Para nós será estranho o futebol sem Ronaldo, mas devemos nos acostumar, assim como aconteceu com o Romário quando ele se aposentou em 2008, alias eles dois e também o Ronaldinho Gaúcho foram os dois maiores jogadores que eu vi jogar nesses meus vinte e poucos anos de vida.



Até a próxima pessoal!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Flamengo vence o Volta Redonda na estreia do Carioca

O Flamengo venceu o Volta Redonda por 2 a 0 na noite desta quarta-feira no Engenhão e estreou com vitória na Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca. Se as duas maiores contratações rubro-negras para temporada 2011, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, não puderam entrar em campo. Outros dois reforços bem menos badalados fizeram a diferença.

Vander e Wanderley marcaram os gols da noite, ajundando o Flamengo a conquistar os primeiros três pontos na competição, que lhe garantem a liderança provisória do grupo A. Mesmo sentindo a falta de ritmo, o rubro-negro começou a partida indo para cima do Volta Redonda, mas a primeira chance real de gol foi aos nove minutos com Renato Abreu. O meia chutou de fora da área, dando trabalho ao goleiro Mauro.

Com o time da cidade do aço jogando na defesa, o Flamengo criava com dificuldade e esbarrava sempre na zaga ou no goleiro Mauro. Porém quase no fim da primeira etapa, aos 41 minutos, o time da Gávea conseguiu abrir o placar. Vander, que já vinha se destacando na partida, partiu pela direita deixando Ramdamés para trás e tocou para o meio, mas a bola desviou em Padovani e entrou, enganando o goleiro.

No segundo tempo o Volta Redonda foi para cima do Flamengo e criou boas chances com Thiago Maciel, que Jean (ex-Fla) desperdiçou aos dois minutos e aos nove quando Glauber obrigou o goleiro Felipe a fazer ótima defesa de mãos trocadas. A resposta rubro-negra foi com um chute de Egídio que tirou tinta do gol, aos 11 minutos.

Logo em seguida, Luxemburgo resolveu sacar o inoperante Deivid e o meia Fierro, que até jogava bem. Entraram respectivamente Wanderley e Marquinhos, ambos foram responsáveis pela melhora do Flamengo na partida. O atacante, que estreava em jogos oficiais, mostrou que tem estrela e no seu primeiro lance aos 15 minutos, escorou um cruzamento de Léo Moura e deu números finais a partida. Marquinhos quase fez o dele também aos 45, mas chutou para fora depois de entrar livre na área.

No próximo domingo o Flamengo encara o América no estádio Giulite Coutinho em Mesquita. O jogo deve marcar a estreia de Thiago Neves, já Ronaldinho Gaúcho terá que esperar um pouco mais para jogar.

Ficha técnica:

FLAMENGO: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz e Egídio; Willians, Fernando, Fierro (Marquinhos) e Renato; Vander e Deivid (Wanderley). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

VOLTA REDONDA: Mauro; Thiago Maciel, Avalos, Padovani e Fabinho; Jonilson, Radamés (Adenis), Leandrinho e Lopes (Gláuber); Gilmar (Tássio) e Jean. Técnico: Márcio Bittencourt.

Estádio: João Havelange (Engenhão), Rio de Janeiro.
Data: 19 de janeiro.

Árbitro: Pathrice Maia.
Auxiliares: Rodrigo Pereira Joia e Silbert Faria Sisquim.

Gols: Vander, aos 41 minutos do primeiro tempo; Wanderley, aos 15 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Fabinho (Volta Redonda).

Público: 6.881 pagantes (7.804 presentes).

Renda: R$ 137.170,00

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um ano do Hexa!

Festa da galera antes do jogo decisivo no Maracanã.

O dia 6 de dezembro de 2009, começou para mim no sábado à noite. Quando eu não conseguia dormir, tamanha era ansiedade pelo que me aguardava naquele domingo, há exatamente um ano. Quando lá pelas 4 horas da manhã, finalmente peguei no sono, tive um pesâdelo, nele o Flamengo perdia o jogo e deixava o título escapar pelas mãos.

Ao acordar, veio aquele alívio, foi apenas um sonho ruim. A manhã custou a passar, mais do que nos outros dias. Almocei rápido, sem ao menor sentir o gosto da comida, queria chegar logo no Maracanã. Na hora de me arrumar, veio a dúvida por qual manto (alguns chamam de camisa, para mim é o manto sagrado) eu usaria, bati logo o olho no uniforme reserva usado em 2007, personalizada com o meu nome. São vários os fatores que me levaram a essa escolha, o primeiro é que essa foi a primeira camisa oficial do Mengão que eu comprei, diretamente de uma loja na Gávea, no dia do aniversário do Mais Querido. O segundo é que se trata de uma variação moderna do manto usado no Mundial em 81, pelo melhor Flamengo de todos os tempos. Que inveja do pessoal daquela época, iam para o Maracanã para ver Zico, Adílio, Andrade e Junior jogar. Eu já vi craques como Romário e Adriano, mas nunca um time como aquele. 

Já devidamente trajado, sai de casa rumo ao meu destino. No caminho várias demonstrações de confiança, milhares de flamenguistas pela rua, dando um tom rubro-negro ao bairro do... Flamengo. Essas cores estavam mais evidentes dentro do metrô, eram poucos aqueles que não trajavam o manto.

Ao chegar ao maior do mundo, o mar de camisas nas cores vermelho e preto era ainda maior. Logo avistei meu amigo Thiago, o grande responsável por eu poder estar ali naquele momento. Durante a semana ele heroicamente virou a noite na fila para garantir os nossos ingressos, não tem dinheiro no mundo que pague a minha gratidão por ele ter me proporcionado esse momento mágico. Mas para chegar até as cadeiras inferiores, de onde veria o jogo, passamos por momentos nada mágicos. Aglomeração, empurra empurra e bastante confusão. Fruto da desorganização que o futebol carioca ainda, infelizmente,  mantém na realização de eventos de grande porte.

Depois de muito sufoco conseguimos chegar aos nossos lugares e finalmente avistar o gramado do Maraca, que estava mais verde do que nunca. Faltava uma ou duas horas para o início do jogo e o estádio ia sendo preenchido pela massa, aos poucos as arquibancadas verdes, amarelas e brancas passavam a ter apenas duas cores: preto e vermelho. Bandeirões com herois daquele time e de outros vitoriosos esquadrões começavam a agitar no céu.

A agitação atingiu seu ápice quando o Flamengo entrou em campo. Uma bela festa com direito a mosaico e tudo. Antes disso, quando o Grêmio entrou em campo, eram ouvidos gritos de "Entrega, entrega", inclusive vindos da própria torcida do tricolor gaúcho, que em escala bem menor no estádio, não queria ver o título brasileiro nas mãos do rival Internacional.

Mas engana-se quem pense que o Grêmio de fato entregou aquela partida, muito pelo contrário. Com um time formado por reservas e garotos da base, os gaúchos dificultaram a vida do Flamengo e quase conseguiram colocar água no chopp rubro-negro.

Quando Roberson fez 1 a 0, aos 21 minutos do primeiro tempo, foi como se um enorme balde de água fria tivesse sido despejado em cima de todos nós ali na torcida. Um silêncio se fez, lembranças das últimas decepções vieram a mente: derrota para o América do México na Libertadores de 2008 e o empate diante do Goiás, poucas semanas atrás. Eu estava angustiado, não queria reviver aqueles fantasmas. Para piorar, o Inter abriu o placar diante do Santo André.

O Flamengo não jogava bem, nervoso, errava passes bobos. Nem parecia aquele time que bateu com propriedade o então líder Palmeiras dentro da casa do adversário ou o que superou o Atlético-MG por 3 a 1 com o Mineirão completamente lotado. Mesmo sem melhorar muito o Mengão conseguiu empatar aos 29 minutos com David, foi o combustível para empurrarmos o time para mais uma conquista. Porém até sair o segundo gol, me vi nervoso e tenho certeza de que quase enfartei.

Angelim comemora depois de marcar o gol do título.

E aos 24 minutos da etapa complementar a minha angústia foi embora e deu lugar a emoção. Petkovic cobrou escanteio da esquerda e Ronaldo Angelim cabeceou firme para o gol. O magro de aço, oriundo do interior do Ceará, acabará de entrar para a história, assim como o gringo se consagrou ainda mais com a camisa rubro-negra.

Quem foi que disse que depois do gol tudo foi festa? O Grêmio continuou atacando e levando perigo ao gol defendido por Bruno, me deixando ainda mais aflito. Por incrível que pareça, como eu falei no começo, os jogadores do Grêmio procuraram a todo custo o empate, mesmo que dessa forma o título fosse para o Inter, que continuava vencendo o Santo André.Mas quando Heber Roberto Lopes apitou o fim da partida a emoção voltou com tudo. Eu e todo o Maracanã estávamos extasiados, completamente enlouquecidos.

Eu, que já tinha visto os dois tri campeonatos estaduais e a Copa do Brasil pela TV, pude pela primeira vez ver ao vivo e a cores o Flamengo ser campeão, logo do Brasileirão que não conquista há 17 anos, desde 1992. Agora, exatamente um ano depois desse jogo, lembro com bastante emoção do campeonato que reconduziu o Flamengo para o lugar de onde jamais deveria ter saído: o topo.

Até a próxima pessoal!

sábado, 2 de outubro de 2010

Zico: Eterno ídolo injustiçado pela minoria

Zico sozinho não faz milagre


Ontem, no primeiro dia do mês de outubro, todo torcedor rubro-negro sentiu um misto de tristeza e indignação ao se depararem com a carta de despedida de Zico do Flamengo. O Galinho não aguentou a pressão que sofria dentro do próprio clube, capitaneada pelo presidente do Conselho Fiscal do clube, autodenominado "Capitão Léo".

Todo mundo que o Zico é simplesmente o maior ídolo da história do clube da Gávea, deu aos rubro-negros as maiores glórias possíveis a um time brasileiro: sete estaduais, quatro brasileiros e os mais importantes de todos, a Libertadores e o Mundial Interclubes. Ele também é o maior artilheiro da história do clube com 504 gols. Se o Flamengo tem hoje a maior torcida do Brasil, com mais de 35 milhões de apaixonados, grande parte é por causa do Zico. Uma geração viu o Galinho de Quintino brilhar intensamente no Maracanã, se não de corpo presente no estádio, pela TV ou pelas ondas do rádio. A geração posterior, infelizmente, só pôde vê-lo através de reprises e das histórias contatas sobre ele (eu sou um desses admiradores póstumos).

Agora como dirigente ele pode não ter tido a mesma maestria dos tempos em que comandava o meio-campo vermelho e preto com o número 10 nas costas. Cometeu alguns erros, como manter por tempo demais o técnico Rogério Lourenço e apostar em jogadores de talento dúvidoso (entenda-se Val Baiano). Porém a proposta de Zico quando assumiu o cargo, em uma emocionante apresentação no dia 1º de junho desse ano, ele estava disposto a reorganizar o futebol rubro-negro pela raíz. Começando justamente pelas categorias de base, para reforçar aquela velha máxima de que "craque o Flamengo faz em casa". Estava também nos planos o término das obras do CT do Ninho do Urubu.

Porém Zico acabou sendo conduzido a um outro caminho, assumindo de frente a gerência do plantel rubro-negro. Ele até tentou trazer o ex-jogador Emerson para exercer essa função, mas tal contratação nunca foi possível. Com o tempo as coisas foram piorando, surgiram acusações infundadas contra Zico e seus filhos, que teriam lucrado com venda de jogadores para o clube e mais recentemente a de que a parceria Flamengo/CFZ estaria terceirizando as categorias de base do clube. Vale lembrar que nenhuma dessas acusações tem provas para validar tais atos. Elas só serviram para magoar e desgastar o relacionamento do Galinho com o clube, levando ele a se desligar do cargo, alegando estar atrapalhando o Flamengo.

Sim, ele estava atrapalhando o Flamengo, não o Flamengo que todos nós amamos e sim o Flamengo sujo, dos jogos de poder de pessoas que não devem nem gostar de futebol, mas que gostam de dinheiro, isso sim. O responsável por todas essas desconfianças foi o já citado presidente do Conselho Fiscal do clube: Capitão Léo, ex-chefe da torcida Jovem-Fla, que tem passagens pela polícia e já foi ligado a nomes como Edmundo dos Santos Silva e Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”. Como um cara desses pode se declarar rubro-negro? Lamentável.

A presidente rubro-negra Patrícia Amorim perdeu um grande aliado e dificilmente conseguirá mudar alguma coisa. Não foi só o Flamengo que perdeu com a saída de Zico, o futebol carioca em geral perdeu mais uma grande oportunidade de se livrar da velha sujeira e voltar a ser referência (se é que já foi um dia).

Creio que o sonho ficou mais distante, mas não impossível. Fica a lição de que para se reestruturar o Flamengo terá que não só mudar um ou dois nomes, pois como diz o já batido ditado: uma andorinha só não faz verão, e sim tirar a corja inteira de abutres que rondam a tempos a Gávea. Sonho ver no futuro o Zico de volta como presidente e o Leonardo como gerente de futebol e com eles os verdadeiros rubro-negros, como Junior, Andrade, Adílio, entre outros que sempre honraram o verdadeiro Flamengo.